John P. Lampignano e Leslie E. Kendrick | Bontrager - Tratado de Posicionamento Radiográfico e Anatomia Associada

CAPÍTuLO 12 | vIAS BIlIARES E SISTEMA GASTRINTESTINAl SuPERIOR 453 12 Cálculos biliares Coledocolitíase é a presença de cálculos nos ductos biliares. Os cálculos biliares podem se formar nos ductos biliares ou migrar da vesícula biliar. Esses cálculos geralmente produzem bloqueio dos ductos. Os sintomas incluem dor, sensibilidade no quadrante superior direito, icterícia e, às vezes, pancreatite. Colelitíase é a condição de apresentar cálculos na vesícula biliar. Níveis elevados de bilirrubina, cálcio ou colesterol podem levar à formação de cálculos biliares. Existem dois tipos de cál- culos: os cálculos de colesterol e os pigmentares; 75% dos cálcu- los são do tipo composto por colesterol. Os fatores de risco para o desenvolvimento de cálculos biliares são: histórico familiar, excesso de peso, idade acima de 40 anos e ser do sexo feminino. 2 Os sintomas de colelitíase incluem dor no quadrante superior direito, geralmente após uma refeição, náuseas e possivelmente vômito. Pacientes com obstrução completa dos ductos biliares podem desenvolver icterícia. Cálculos biliares são compostos primariamente de colesterol, o que os torna altamente radiolucentes; os outros 25 a 30% são princi- palmente de colesterol e sais cristalinos, tambémradiolucentes. Uma pequena porcentagem (aproximadamente 20%) dos cálculos bilia- res é composta por sais de cálcio cristalinos, os quais são geralmente visíveis na imagem radiográfica abdominal semmeio de contraste. 2 Bile em leite de cálcio é a emulsão de cálculos biliares na vesícula biliar. O desenvolvimento da emulsão dos depósitos de cálcio na vesícula biliar pode ser difícil de diagnosticar durante o colangiografia. Essa condição é vista como um acúmulo difuso de calcificações ou sedimentos semelhantes à areia. Embora tenham sido desenvolvidos fármacos que dissolvem esses cálculos, para a maioria dos pacientes a indicação é a remo- ção da vesícula biliar. A técnica laparoscópica para remoção da vesícula biliar (colecistectomia) reduziu imensamente o tempo de convalescença do paciente. Com a ultrassonografia, os cálculos dentro da vesícula biliar ou ductos biliares produzem efeito de “sombreamento”. Tal efeito é criado pelo bloqueio parcial da onda sonora quando esta passa pelos cálculos e sedimentos. Colecistite A colecistite aguda ou crônica é a inflamação da vesícula biliar. Na colecistite aguda, geralmente um bloqueio do ducto cístico res- tringe o fluxo da bile da vesícula biliar para o ducto biliar comum. O bloqueio é geralmente (95% dos casos) 2 causado em razão de um cálculo alojado no colo da vesícula biliar. Com o tempo, a bile Tabela 12.2 Resumo das indicações clínicas: vesícula biliar e via biliar. CONDiçãO Ou DOENçA ExAME RADiOLÓGiCO MAiS COMuM POSSÍVEL APARêNCiA RADiOLÓGiCA AJuSTE DO FATOR DE ExPOSiçãO a Coledocolitíase (cálculos no ducto biliar) Ultrassonografia RM CPRE Colangiografia peroperatória Alargamento ou estreitamento dos ductos biliares devido à presença de cálculos Nenhum Colelitíase (cálculos na vesícula biliar) Ultrassonografia RM Colescintilografia (estudo com radionuclídeos) 2 Densidades radiolucentes e radiopacas vistas na região da vesícula biliar; efeito de “sombreamento” com ultrassom; falha em acumular radionuclídeos na vesícula biliar 2 Nenhum Colecistite aguda Ultrassonografia RM Colescintilografia (estudo com radionuclídeos) 2 Parede mais espessa da vesícula biliar na ultrassonografia; falha em acumular radionuclídeos na vesícula biliar 2 Nenhum Colecistite crônica Ultrassonografia RM Placas calcificadas ou calcificação da parede da vesícula biliar Nenhum Neoplasias Ultrassonografia RM TC Lesão visualizada na vesícula biliar, no fígado ou nos ductos biliares; calcificação extensa da parede da vesícula biliar Nenhum Estenose biliar Colangiografia peroperatória CPRE Alongamento, afunilamento e estreitamento do ducto biliar comum Nenhum a Dependente do estágio ou da gravidade da condição. CPRE , colangiopancreatografía retrógrada endoscópica; TC , tomografia computadorizada; RM , ressonância magnética. começa a irritar o revestimento interno da vesícula biliar, que se torna inflamado. Os sintomas da colecistite aguda incluem dor abdominal, sensibilidade no QSD e febre. Infecção bacteriana e isquemia (obstrução do suprimento sanguíneo) da vesícula biliar também são passíveis de produzir colecistite aguda. Bactérias produtoras de gases podem levar à gangrena da vesícula biliar. A colecistite crônica quase sempre está associada a cálculos biliares, mas também pode ser um efeito de pancreatite ou carci- noma da vesícula biliar. Os sintomas de dor no QSD, azia e náuseas podem ocorrer após uma refeição. Placas calcificadas, espessa- mento ou calcificação da parede da vesícula biliar estão provavel- mente relacionados à colecistite crônica. A colecistite crônica é capaz de produzir crises repetitivas de dor após as refeições, que diminuem depois de 1 a 4 horas. Neoplasias Neoplasias são proliferações celulares benignas ou malignas. Os tumores malignos ou cancerosos da vesícula biliar podem ser agres- sivos e disseminar-se para fígado, pâncreas ou trato gastrintestinal (TGI). Neoplasias da vesícula biliar são raras. Dentre os tumores malignos da vesícula biliar, 85% são adenocarcinomas e 15% são carcinomas de células escamosas. 3 Os tumores benignos comuns da vesícula biliar incluem pólipos de colesterol e adenomas. Aproximadamente 80% dos pacientes com carcinoma da vesícula biliar têm cálculos. À medida que cresce, o tumor pode obstruir o sistema biliar. Os pacientes podem apresentar dor, vômito e icterícia. Ultrassonografia e TC são as melhores moda- lidades para demonstrar neoplasias da vesícula biliar. Às vezes é necessária a inserção de um stent ou dreno no interior do ducto biliar comum para fornecer uma via de escoamento da bile resul- tante da obstrução. Estenose biliar A estenose biliar é o estreitamento de um dos ductos biliares. Pode ocorrer restrição do fluxo da bile nessa condição. No caso do cál- culo biliar, a estenose é capaz de evitar a passagem de pequenos cálculos biliares para o duodeno, levando à obstrução do ducto. Colecistite e icterícia são passíveis de resultar da estenose biliar. Durante a colangiografia, o ducto biliar comumpode parecer alon- gado, cônico e estreito. Um cálculo biliar alojado no ducto biliar comum distal geralmente apresenta-se como falha de enchimento, associada a um pequeno canal de meio de contraste à sua volta. A Tabela 12.2 traz o resumo das indicações clínicas para radio- grafia da vesícula biliar e da via biliar.

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